quarta-feira, 29 de maio de 2013

Os trilhos abrem novos caminhos

Foi na década de 1980 que a França decidiu apostar pesado no transporte ferroviário. O país tem hoje uma das mais eficientes redes ferroviárias do mundo com uma malha de cerca de 30 mil km, sendo 1.860 km para trens de grande velocidade. Na mesma época, a rede ferroviária brasileira amargava uma decadência, que culminou com o processo de privatização em 1992.

No Brasil, restam 28.538 km de linha férrea, diluídas em um território 15 vezes maior do que o da França, que é um pouco menor que a Bahia. Mas não é apenas a extensão que faz a diferença, mas, sobretudo, a qualidade do serviço. A Sociedade Nacional Caminhos de Ferro (SNCF), responsável pela operação do sistema francês, chega a realizar 35,7 milhões de viagens por ano e em 30 anos não registrou nenhuma morte. "Nós temos um eficiente sistema de sinalização e um controle rigoroso na manutenção para garantir a segurança nas viagens", afirma Alain Bullot, diretor de projetos da SNCF.



Os trens de grande velocidade, conhecidos como TGV, conectam mais de 50 cidades, a partir de Paris, e fazem viagens regulares também para as principais linhas internacionais. De Paris a Bordeaux, uma distância de cerca de 600 km, que de carro levaria de 6h a 7h, pode ser feita em 2h30 pelo TGV. O trem desenvolve velocidade acima de 300km/h. "Em testes, ele ultrapassa os 500km/h, mas a atual linha não é adequada para essa velocidade", ressalta Patrick Larminat, diretor internacional de projeto da SNCF. Uma nova linha férrea está sendo instalada para tentar reduzir o tempo de viagem pela metade. "Em 2013, essa linha que atende a região já deverá iniciar a operação", afirma Larminat.

A viagem no TGV é confortável, rápida e segura, mas não é barata. A única chance de reduzir o custo do bilhete é comprar com antecedência pela internet ou aproveitar as promoções, da mesma forma que ocorre com as passagens aéreas. De Paris a Bordeaux, numa viagem financiada pela SNCF para jornalistas brasileiros, na primeira classe, o custo por bilhete saiu por cerca de 300 euros. "A partir de três pessoas é mais vantagem ir de carro, do ponto de vista econômico", conta o jornalista brasileiro Carlos Spilak, que reside em Paris.

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