terça-feira, 21 de maio de 2013

Trem de Alta Velocidade Social - Passagens programadas com custo baixo

A ministra do Desenvolvimento da Espanha, Ana Pastor (Partido Popular) garantiu ontem (20/05), em São Paulo, participação ativa de pelo menos um consórcio espanhol no leilão do TAV, que abre no dia 13 de agosto próximo, na Bovespa, para recebimento das propostas. Ao lado do presidente da Renfe, Julio Rodriguez, que será o operador técnico do consórcio, e do presidente da Ineco, Pablo Vázquez, Ana Pastor não quis, no entanto, declinar os demais participantes do consórcio: “ainda não está fechado”, confidenciou. Nos últimos três anos, a Espanha foi vencedora de dois importantes projetos de alta velocidade, um na Arábia Saudita, com a Talgo, para o percurso Meca-Medina, e outro na Turquia, com a CAF, para Ankara-Istambul. Fora da China, é hoje o país com maior extensão de linhas de alta velocidade, que se aproximam dos três mil km.


“Às vezes os trens de alta velocidade são considerados transporte de luxo, reservados para os ricos”, disse a ministra, falando a um auditório de empresários espanhóis e brasileiros, no café da manhã. “Mas não é assim” – acrescentou. Hoje, a cada dia circulam na Espanha 300 trens de alta velocidade, servindo a mais de 100 mil passageiros e ligando 80 cidades espanholas com alto índice de confiabilidade.

“Isso mudou a vida de muita gente”, disse a ministra. “Cidades que ficavam a duas horas de distância hoje estão à meia hora de viagem”.

Ana Pastor foi a responsável pela introdução, este ano, de altos descontos nas passagens dos AVEs (de Alta Velocidade Espanhola). Os bilhetes, comprados com suficiente antecedência, podem receber até 70 % de desconto. Ela mencionou em seu discurso que a mudança da política comercial da Renfe, operadora estatal espanhola, fez com que os trens de alta velocidade, que antes circulavam vazios, passassem a andar lotados. Mais tarde, em entrevista à Revista Ferroviária, disse que o mesmo efeito poderá ser buscado no Brasil com a aplicação da tarifa-teto prevista no edital da EPL. E que a existência, aqui, de um operador privado, não deveria tirar o caráter de serviço social do trem de alta velocidade. “Transporte ferroviário deve ser sempre um assunto de governo”, concluiu. Fonte: RF