quinta-feira, 23 de maio de 2019

O trem mais rápido do mundo

Ettore Bugatti até hoje está associado a carros ultrarrápidos, o próprio Chiron de 1.500 cv é a prova que o sobrenome sobreviveu ao criador. Só que o fabricante também bateu recorde de velocidade nos trilhos, quando criou o trem WR em 1932. A sigla Wagon Rapide não poderia ser mais literal: era um verdadeiro vagão rápido de 21 metros e não uma locomotiva com vários vagões. Era uma proposta de transporte ligeiro ligando um município ao outro.


A mecânica era igualmente incomum, fruto do gênio criativo de Ettore, que acumulou mais de 1.000 patentes antes de 1947, quando faleceu. O WR usava quatro motores de Bugatti Royale Type 41, cada um deles com 12,75 litros de deslocamento. O fato é que a crise de 1929 havia derrubado a economia do mundo inteiro e criar trens com a mesma motorização do Royale poderia ser a saída para dar fim aos oito cilindros em linha já produzidos. O WR Bugatti Presidencial foi conservado, mas é o único sobrevivente Foto: Hugh LLewelyn Fonte: Divulgação


Os motores ficavam ao centro do vagão, acoplados em duplas. A transmissão hidráulica repassava a força aos bogies de quatro eixos cada. Para alcançar altas velocidades com maior facilidade, a carroceria era extremamente aerodinâmica. A posição de condução era elevada, o condutor ficava bem acima do conjunto mecânico, bem no centro do vagão. Isso liberava a parte frontal para ser ocupada por passageiros - imagine só a visão privilegiada dos primeiros assentos.

Os primeiros testes em 1933 já apontaram a velocidade de 172 km/h e logo o governo francês encomendou quatro vagões. O alto desempenho permitia manter médias de 116 km/h nas viagens, o que aumentou logo para 130 km/h em alguns trechos. O percurso entre Paris e Lyon passou a ser cumprido em menos de cinco horas pela primeira vez. Os tempos curtos de viagem passaram a ser inscritos nos belos pôsteres feitos pela filha de Bugatti, Lidia.